"Olá queridos leitores, sou o Timo Cramer e estou aqui para compartilhar as minhas dicas e experiências para viajar, quando se tem PKU. A minha aventura de 15 meses pela Nova Zelândia foi realmente inspiradora e, honestamente, posso dizer que esta viagem mudou-me para sempre. Aprendi a ser independente num país estrangeiro, acabando por descobrir os meus limites, liberdades e possibilidades. Cresci a conhecer pessoas novas, de diferentes culturas, o que me proporcionou uma visão diferente para novos hábitos alimentares e outros alimentos com baixo teor proteico, que eu nunca teria experimentado em casa."
A primeira parte da minha jornada... O último voo:
"Não tive problemas com o controlo de fronteiras Alemão ou Neozelandês, relativamente aos meus substitutos proteicos e alimentos de baixo teor em proteína. Contudo, certifique-se do que pode levar para a Nova Zelândia, uma vez que eles são muito rigorosos. Falo por experiência própria e aconselho vivamente que faça o seu trabalho de casa, especialmente sobre o que pode e não pode levar consigo quando visita um novo país."
O segundo voo
"Como parte do meu planeamento de viagem, informei a companhia aérea que tenho PKU e que necessito de comer, durante o voo, alimentos e substitutos proteicos, prescritos por médicos. Deve também deve perguntar se a companhia aérea poderá ter refeições vegan, à partida com baixo teor em proteína, para complementar os lanches que irá levar no avião."
Lista de verificação de viagem de Timo:
- Na sua viagem, traga consigo versões traduzidas de todos os seus atestados médicos, descrições de produtos e receitas para mostrar ao controlo de fronteiras.
- Peça alimentos com baixo teor de proteína e misturas de aminoácidos suficientes (um pouco mais) para levar consigo. Dependendo da sua prescrição, registe-a na companhia aérea como bagagem médica especial, se estiver a viajar de avião.
- Certifique-se de que traz consigo alguns alimentos de baixo teor proteico, até que possa encontrar outras opções para comer quando chegar ao seu destino.
A chegada - que comece a exploração.
"Passei a minha primeira semana em Auckland, uma grande cidade na Ilha Norte da Nova Zelândia. Conheci outro alemão que me mostrou o supermercado mais próximo, onde poderia ver mais opções de alimentos. A cidade é conhecida pela sua cultura, música, arte, comida e vinho. É possível que se perca em todos os excelentes restaurantes, galerias e exposições. Portanto, se gosta de cultura e vida noturna, Auckland é ótima!"
Então eu participei num WWOOF!
"Depois da minha estadia em Auckland, segui para Hamilton para morar com uma família adorável, enquanto fui WWOOF, e não me refiro ao ladrar de um cão! WWOOF significa "We're Welcome on Organic Farms", que traduzido significa "Somos Bem-vindos a Quintas Orgânicas", um programa que conecta viajantes com famílias anfitriãs, que estão dispostas a oferecer experiências práticas e culturais de trabalho em quintas, propriedades e hortas orgânicas.
Neste programa, as famílias anfitriãs fornecem comida e casa, de forma gratuita, enquanto que os viajantes aventureiros e ecologicamente conscientes participam nas atividades agrícolas diárias, como plantação, compostagem, recolha dos ovos, entre outras. Foi fantástico! Durante a minha visita de um mês, comi principalmente frutas, vegetais e pão caseiro, com baixo teor proteico. Infelizmente, perdi bastante peso por causa disso, então comecei a experimentar alguns alimentos novos, como alternativa vegetal ao iogurte de coco, algo que não tínhamos na Alemanha, na época. Consegui aumentar a minha ingestão de energia, o que me ajudou a recuperar os meus músculos, depois de alguns dias intensos a trabalhar na quinta."
Estava orgulhoso do quão independente e corajoso eu me tinha tornado.
"Depois da minha incrível experiência em Hamilton, comprei um carro e conduzi para o meu primeiro emprego em Tauranga, uma cidade portuária vibrante, na Ilha Norte. É um ótimo lugar para explorar espontaneamente, porque há sempre algo a acontecer. Além disso, irá estar perto de resorts, com praias populares, e poderá relaxar na praia. Em Tauranga, descobri que posso consumir pão sem glúten, então não precisei de o fazer sozinho.
Também experimentei chocolate e bolos vegan, doces japoneses como mochi e outros pratos vegetarianos. Cada pessoa com PKU é diferente, então aqui está a minha experiência pessoal: converse sempre com o seu médico e/ou nutricionista, se quiser adicionar novos alimentos à sua dieta."
Como é que me certifiquei em ter substitutos proteicos e alimentos com baixo teor proteico suficientes?
"O meu irmão Phil enviou-me os produtos da Alemanha, para garantir que eu não ficava sem alimentos de baixo teor em proteína e substitutos proteicos.
Qual é o meu conselho? Se ficar por um longo período de tempo, certifique-se de que planeia as suas quantidades e prazos de entrega com antecedência. Certifique-se de ter sempre produtos armazenados, pois o envio pode ser imprevisível e demorar um pouco mais do que o esperado."
Quero inspirar outras pessoas com PKU a viajar e explorar o mundo!
"Embora viajar com PKU seja um pouco mais difícil, não é impossível! A preparação e o planeamento são essenciais para nós, para que possamos experimentar tudo o que queremos. Não pense muito nisso, apenas faça!"
Todos os pacientes com PKU devem ter, pelo menos, uma aventura
"A viagem deu-me uma perspectiva totalmente diferente e nova sobre o mundo. Através dos olhos de outras culturas, abri porta aos meus preconceitos e comecei a pensar de forma diferente. Sinto que tenho mais empatia agora. Consegui estar bem comigo mesmo e encontrei novamente a minha independência, o que me deixou surpreendido com o quão autossuficiente e confiante eu me tornei. Se puder deixar de lado os seus medos e arriscar a partir numa nova aventura, não se irá arrepender."