Como eu viajo pelo mundo com PKU
Cada família tem as suas próprias paixões, umas pelo desporto, outras gostam simplesmente de passear na natureza. Para a minha família, viajar é como se fosse uma segunda natureza. Felizmente, a fenilcetonúria (PKU) nunca nos impediu de explorar o mundo.
Como começou o seu amor pelas viagens?
Elea: "Os meus pais passaram-me o bichinho das viagens e decidiram que, desde o meu diagnóstico, que a PKU não seria uma barreira para as nossas aventuras. Desde então, cresci com uma mala ao alcance e uma enorme curiosidade sobre novos destinos".
Qual foi a sua primeira experiência de viagem com PKU?
Elea: "A minha primeira viagem foi às Caraíbas, quando eu tinha apenas seis meses de idade. Claro que não me lembro de nada da viagem, mas os meus pais gostam de falar sobre ela. Quando tinha dois anos de idade, viajámos para o Quénia. Lembro-me que eu estava a brincar no jardim do nosso hotel e comecei a rir quando um macaco pegou num dos meus brinquedos.
Como o meu pai costumava ir ao Quénia em trabalho, era habitual visitarmos o país, o que significava que a minha mãe tinha sempre de preparar tudo até o último detalhe, especialmente quando se tratava da minha dieta.”
Já teve algum momento desafiador com PKU durante uma viagem?
Elea: "Com certeza! Nunca esquecerei uma viagem que fiz ao Quénia. Eu tinha seis anos e estávamos dentro do avião, quando a minha mãe de repente gritou: "A bolsa! A mala com a comida!". Tínhamos uma linda bolsa de couro que continha todos os meus substitutos proteicos e outros produtos de baixo teor proteico: macarrão com baixo teor proteico e até uma balança para pesar os alimentos. E a mala ainda estava em casa!”
“Era tarde demais para sair do avião, então tivemos de passar as férias sem a minha comida, pelo que os meus pais tiveram de pedir imediatamente ajuda. Já estava a sentir-me fatigada porque não estava a cumprir com a dieta. Alguns dias depois, a mala foi levada ao nosso hotel e quando os meus substitutos proteicos e produtos com baixo teor proteico finalmente chegaram, senti-me logo melhor. Desde então, nunca mais me esqueci da minha mala."
Como foi estudar em Bangkok?
Elea: "Em 2014, fiz uma das viagens mais especiais da minha vida. No âmbito dos meus estudos, tive de passar um semestre no estrangeiro e depois de muita pesquisa, escolhi Bangkok, na Tailândia.
Quando olhei pela janela durante a minha escala no Dubai, pensei: "Eu enlouqueci? O que é que eu estou a fazer aqui?” Toda a minha vida está na Alemanha e agora eu vou passar quatro meses sozinha num país estrangeiro. Mas, olhando para trás, foi a melhor decisão de todas. Durante a primeira semana tive dificuldades em ambientar-me: Bangkok é barulhenta, animada, movimentada e completamente diferente da Alemanha mas, surpreendentemente, a comida foi o desafio menos difícil da minha estadia."
Como é que organizou a sua dieta de baixo teor em proteínas na Tailândia?
Elea: "Muitos pratos tailandeses são naturalmente amigáveis para pacientes com PKU! Em todos os lugares consegui encontrar arroz frito com legumes e sumos de fruta e smoothies deliciosos. Claro, todos os pacientes têm níveis de tolerância diferentes à fenilalanina (Phe), mas descobri que a cozinha oriental geralmente vai ao encontro das minhas necessidades nutricionais."
O que Bangkok significa para si?
Elea: "Um dia decidi explorar o centro de Bangkok e, imediatamente, apaixonei-me pela cidade. Eu sabia: este é um lugar para o qual voltarei sempre. Assim como o meu pai tinha uma conexão especial com o Quénia, Bangkok parecia o meu lar espiritual.
Em 2016, mudei-me para a Tailândia por tempo indeterminado. Levei 14 Kg de misturas de aminoácidos comigo na mala e pedi à minha família e aos meus amigos que me fossem enviando mais produtos. Com um pouco de planeamento, acabou por ser possível morar no estrangeiro e seguir a minha dieta de baixo teor proteico. No próximo ano, vou levar a minha filha para a Tailândia pela primeira vez - mal posso esperar para que ela descubra este país especial."
Qual é o seu conselho para outras pessoas com PKU que querem viajar?
Elea: “Um pouco de preparação e planeamento ajuda muito. Seja flexível, aberto a novas experiências e aproveite cada aventura. Sim, viajar com PKU requer um pouco mais de organização, mas é absolutamente possível. Não deixe que a sua dieta o impeça de explorar o mundo!”